Diz Bernardo Soares (in Livro do Desassossego) que "O amor romântico é o produto extremo de séculos sobre séculos de influência cristã;(...) O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão."
Qual será, então, o ponto de ruptura em que o neoplatonismo abandonou o espírito das mulheres? O 25 de Abril e o Comunismo latente que se instalou?, atirando as mulheres para fora de uma religião sexualmente castradora? Só sei que o romantismo descansa em paz no seu túmulo de raízes de roseira e que voltamos à consciência dionisíaca dos corpos. Nietzsche triunfou.
"The universe has a huge hole in it that dwarfs anything else of its kind. The discovery caught astronomers by surprise.
The hole is nearly a billion light-years across. It is not a black hole, which is a small sphere of densely packed matter. Rather, this one is mostly devoid of stars, gas and other normal matter, and it's also strangely empty of the mysterious "dark matter" that permeates the cosmos. Other space voids have been found before, but nothing on this scale.
Astronomers don't know why the hole is there."
Fonte: http://www.livescience.com/
Há duas hipóteses: ou Deus é um mau construtor civil, ou o Universo afinal deveria ser chamado de "a" Universo. Um universo feminino é uma ideia bastante... apelativa.
(Um amigo deu-me outra hipótese, provavelmente também nas contas de Deus há buracos no orçamento - será Deus português?)
Pensamentos Reptilianos(1): dos livros e dos antidepressivos.
Quem escolhe a via da intelectualidade acaba por cair sempre numa fossa: ou compromete a sua lucidez vingando-se em antidepressivos e montanhas de livros (qualquer um dos casos é apenas alheamento social) ou, na pior das hipóteses, vê-se agarrado a uma solteira de 34 anos que vive sozinha (com o seu gato) e que vai escrevendo poesia. Quem poderia considerar a mulher desta última opção algo de apelativo?
Ter fama de homossexual, pelo menos, livra-nos de qualquer compromisso social: ninguém espera de nos menos do que a promiscuidade, nem copos-de-água.
É que o casamento é a antítese do amor, o casamento é puro acto de castração emocional.
- Acaricia-me os lábios - pediu ela. - Devagarinho. Abre-os. Assim, devagar, devagar. Deixa que os teus dedos os acariciem. Sim, assim mesmo, muito devagar.Agora toca com a outra mão no meu seio esquerdo. Acaricia-o suavemente, de baixo para cima. Belisca ao de leve o mamilo. Uma vez, e outra. Até que eu esteja quase a vir-me.
Haruki Murakami, Crónica do Pássaro de Corda.
Um homem espera uma vida inteira para ouvir palavras como estas. Não é a espera que aborrece, é a desilusão que advém do confronto com a realidade.
Já vi homens perderem a cabeça por mulheres, por outros homens (ave Oscar Wild), por carros desportivos.... mas isto é ridículo.
Há coisas que não conseguem, por mais que tentem, lutar contra a sua própria natureza. Um comunista será sempre um utópico, um escritor será sempre um empresário falhado, uma mulher será sempre um braço na boca de algum réptil.